Principais matérias cobradas em concursos públicos em 2026 | Wilson Tavares

Principais matérias cobradas em concursos públicos em 2026: o guia completo

Se você quer entrar no serviço público em 2026, a primeira pergunta que precisa responder não é "qual concurso vou prestar?" — é "o que efetivamente as bancas cobram?". Saber isso muda o jogo: você começa a estudar pelo que mais cai, antecipa o edital do concurso dos sonhos e ganha meses preciosos de vantagem sobre quem só corre atrás depois da publicação.

Boa parte dos editais brasileiros gira em torno de um núcleo duro de cinco disciplinas que se repete em quase todo concurso de nível médio e superior: português, matemática e raciocínio lógico, informática, direito constitucional e direito administrativo. A partir desse tronco comum, cada carreira agrega suas matérias específicas, e cada banca imprime um estilo próprio de cobrança. Neste guia, o Prof. Wilsinho destrincha o que está dentro de cada uma dessas matérias, como ela aparece nas provas e o que fazer para dominá-la antes do edital sair.

Por que ler este guia agora? Em 2026 há editais previstos para Receita Federal, SEFAZ-SP, SEFAZ-RN, TCE-AC, TJ-PE, PM-ES, PM-SC, DPDF, OAB, ALECE e dezenas de outros. Quem dominar o núcleo duro até o segundo semestre tem 70% do caminho andado, independentemente do concurso escolhido.

Panorama geral: o que realmente cai

Antes de mergulhar em cada matéria, vale entender o desenho geral. Em uma análise de mais de 200 editais publicados entre 2022 e 2025 pelas principais bancas (Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp, IBFC, Quadrix e Instituto AOCP), cinco disciplinas aparecem em mais de 85% dos certames. Outras três aparecem em mais de 60%. As específicas variam conforme a carreira, mas seguem padrões previsíveis dentro de cada área.

Matéria Frequência nos editais Onde mais cai
Português ~98% dos concursos Todos os níveis, todas as áreas
Raciocínio lógico / Matemática ~85% Tribunais, fiscal, bancário, polícia
Informática ~80% Administrativos, tribunais, fiscal
Direito constitucional ~75% Jurídicos, fiscal, controle, polícia
Direito administrativo ~70% Tribunais, fiscal, controle, autarquias
Direito penal e processual penal ~35% Polícias, MP, TJ, defensoria
Direito tributário ~25% SEFAZ, ISS, Receita Federal, TCE
Atualidades e história do Brasil ~40% Polícia, diplomacia, militar

Os cargos com mais peso para o núcleo duro são, em ordem decrescente: analistas e técnicos de tribunais (Português + Direito + RL representam até 80% da prova), auditores fiscais municipais e estaduais (50% específicas, 50% núcleo duro), policiais civis e militares (40% núcleo duro, 60% específicas e legislação policial) e cargos administrativos de autarquias (até 90% núcleo duro).

As cinco matérias do núcleo duro

Chamamos de núcleo duro o conjunto de disciplinas que se repete em praticamente qualquer concurso de nível médio ou superior do país. Quem domina o núcleo duro consegue prestar concurso para tribunal, para SEFAZ, para câmara legislativa e para autarquia sem reinventar a roda. A lógica é simples: invista nelas em primeiro lugar e por mais tempo, deixando as específicas para o momento em que o edital sair ou quando você fechar a carreira-alvo.

1
Português

A matéria universal. Interpretação de texto, gramática contextualizada e reescrita. Aparece em quase todo concurso e costuma valer entre 10 e 25 questões.

2
Matemática e raciocínio lógico

Padrões, sequências, lógica proposicional, porcentagem, regra de três. Forte em tribunais, fiscal e bancário. Eliminatória em muitos certames.

3
Informática

Pacote Office, internet, segurança da informação, sistemas operacionais. Tendência crescente: inteligência artificial e LGPD aplicada.

4
Direito constitucional

Princípios fundamentais, direitos e garantias, organização do Estado, poderes da República, controle de constitucionalidade. Base de quase todo concurso jurídico.

5
Direito administrativo

Princípios, atos administrativos, poderes, organização, licitações (Lei 14.133/21), servidores e responsabilidade civil. Forte conteúdo conceitual.

Português, a matéria universal

Se existe uma matéria que você não pode dispensar em nenhum momento da sua preparação, é português. Ela aparece em praticamente 98% dos editais, do concurso mais simples ao mais cobiçado. Em provas como SEFAZ-SP, AFRFB e TCDF, português costuma valer entre 10 e 15 pontos; em concursos de nível médio, pode chegar a 25 questões.

O segredo do português moderno é que as bancas pararam de cobrar regrinha solta. Hoje, mesmo quando o enunciado pede "concordância verbal", a questão vem dentro de um texto, e você precisa interpretar antes de aplicar a regra. Isso significa que interpretação de texto é o tópico mais importante de toda a disciplina.

Eixo da disciplina Tópicos principais Peso típico
Interpretação de texto Ideias principais e secundárias, inferência, intertextualidade, tipologia textual, gêneros 35 a 50%
Sintaxe Concordância verbal e nominal, regência, colocação pronominal, oração subordinada 20 a 30%
Morfologia Classes gramaticais, conjugação verbal, uso de pronomes 10 a 15%
Reescrita e equivalência Substituição de termos sem mudar sentido, paráfrase, sinonímia 10 a 20%
Ortografia e acentuação Uso de hífen, acento diferencial, crase, novo acordo ortográfico 5 a 10%
Dica do Wilsinho Reescrita de frase é o tópico mais subestimado de português. As bancas adoram porque ele mede ao mesmo tempo regência, concordância, colocação pronominal e interpretação. Quem treina 500 questões de reescrita sai do "intermediário" para o "afiado" em quatro semanas.

Como cada banca cobra português

  • A Cebraspe (antiga Cespe) faz prova certo/errado e é cirúrgica em concordância, regência e crase. Errou uma vírgula, errou a questão.
  • A FGV ama textos longos e densos, com pegadinhas de inferência e relação entre parágrafos. Leitura tem que ser ativa.
  • A FCC exige domínio profundo de sintaxe e morfologia. Ainda cobra gramática descritiva de forma direta.
  • A Vunesp equilibra interpretação e gramática, com peso forte em reescrita e equivalência semântica.
  • A IBFC e o Instituto AOCP têm enunciados mais curtos, mas cobram pontuação e regência com frequência.

Matemática e raciocínio lógico

Se português é a matéria universal, matemática e raciocínio lógico são as matérias decisivas dos concursos. Por quê? Porque é nelas que o candidato mediano costuma travar e perder pontos preciosos. Quem domina, abre vantagem real sobre 60% da concorrência.

Em concursos como Auditor Fiscal da Receita Federal, Auditor de SEFAZ e Analista de tribunais, raciocínio lógico pode valer entre 15 e 20% da prova objetiva. Em bancários (Banco do Brasil, Caixa) e nos administrativos, matemática financeira tem peso semelhante.

Bloco Conteúdo Onde mais cai
Aritmética básica Frações, decimais, porcentagem, razão, proporção, regra de três simples e composta Nível médio em geral, autarquias
Matemática financeira Juros simples e compostos, descontos, equivalência de capitais, séries uniformes Bancários, SEFAZ, fiscal municipal
Análise combinatória e probabilidade Permutação, combinação, arranjo, probabilidade condicional Tribunais, polícia federal, fiscal
Estatística básica Média, mediana, moda, desvio padrão, distribuições, leitura de gráficos SEFAZ, controle externo, planejamento
Lógica proposicional Tabela-verdade, equivalências, negação de proposições, argumentos válidos Quase todos os concursos jurídicos e administrativos
Lógica de argumentação Diagramas lógicos, silogismos, lógica dos quantificadores Cebraspe e FGV adoram
Sequências e raciocínio sequencial Padrões numéricos, lógica de figuras, raciocínio espacial Polícia, militar, técnico-administrativo
Atenção Não confunda raciocínio lógico com matemática pura. Concursos como o do TCDF cobram só lógica proposicional e argumentação, sem porcentagem. Já SEFAZ-SP cobra estatística e matemática financeira pesadas. Leia o edital com lupa e estude o bloco certo.

Informática

Informática cresceu de matéria coadjuvante para protagonista nos últimos cinco anos. Hoje aparece em cerca de 80% dos editais e, em alguns concursos administrativos, vale tanto quanto direito constitucional.

Esqueça aquela informática de 2010, cheia de pergunta sobre versões antigas do Windows. As provas de 2025 e 2026 estão cobrando cenários práticos: como agir diante de um phishing, qual o melhor backup para uma situação X, atalhos do Excel, funções do Word, configurações de privacidade do navegador.

  • Pacote Office (Word, Excel, PowerPoint). Funções, atalhos, formatação condicional, fórmulas no Excel (SE, PROCV, SOMASE), tabela dinâmica
  • Sistemas operacionais. Windows 10/11 e Linux: gerenciamento de arquivos, permissões, atalhos, terminal básico
  • Internet e navegadores. Chrome, Edge e Firefox: cookies, cache, modo anônimo, certificados digitais
  • Segurança da informação. Phishing, ransomware, spyware, criptografia, assinatura digital, autenticação em dois fatores
  • Redes de computadores. Protocolos TCP/IP, HTTP/HTTPS, conceitos de LAN, WAN, VPN, intranet versus extranet
  • LGPD. Princípios da Lei Geral de Proteção de Dados, papéis (controlador, operador, encarregado), bases legais para tratamento
  • Inteligência artificial. Conceitos básicos, ChatGPT e similares, uso ético no serviço público, riscos e LGPD aplicada à IA
Dica do Wilsinho Excel cai mais que tudo. Em 90% dos editais que cobram informática, há ao menos uma questão de fórmula ou função do Excel. Instale o programa, treine fórmulas reais, não só na teoria. Quem só lê PDF de informática não aprende informática.

Direito constitucional

Direito constitucional é a coluna vertebral de qualquer concurso jurídico, e também aparece em concursos administrativos, fiscais, policiais e de controle. A Constituição Federal de 1988 é a referência direta, e boa parte das questões cobra a literalidade do texto ou interpretação de jurisprudência consolidada do STF.

Eixo Conteúdo Peso típico
Princípios fundamentais Artigos 1º ao 4º da CF, fundamentos, objetivos e princípios das relações internacionais 5 a 10%
Direitos e garantias fundamentais Artigo 5º (caput e incisos), direitos sociais (art. 6º a 11), nacionalidade, direitos políticos 25 a 35%
Organização do Estado Federação, União, Estados, DF, Municípios, repartição de competências, intervenção 10 a 15%
Organização dos Poderes Poder Legislativo (processo legislativo), Executivo (atribuições), Judiciário (estrutura), funções essenciais 25 a 35%
Controle de constitucionalidade ADI, ADC, ADPF, mandado de injunção, controle difuso e concentrado 10 a 15%
Ordem social e econômica Saúde, educação, seguridade social, ordem tributária e financeira 5 a 10%

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...

O artigo 5º da Constituição é o mais cobrado em todo o direito constitucional brasileiro. Não há concurso que não traga ao menos uma questão sobre seus incisos. Decorar literalmente os 78 incisos pode parecer cansativo, mas é um dos investimentos com maior retorno em ponto por hora estudada.

Jurisprudência A FGV, a Cebraspe e a FCC vêm cobrando cada vez mais julgados recentes do STF sobre temas como decisões em ADI, modulação de efeitos, lei do impeachment e direitos dos servidores públicos. Acompanhe os informativos do STF e do STJ, especialmente os destacados como "repercussão geral".

Direito administrativo

Direito administrativo é a matéria que descreve como o Estado funciona por dentro. Como qualquer servidor opera dentro dessas regras, esse conteúdo aparece em quase todo concurso administrativo, fiscal, de controle e de tribunal. Em concursos de auditoria (TCU, TCEs, CGU) pode chegar a 30% da prova.

  • Princípios da administração pública. Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência (LIMPE) e os implícitos (razoabilidade, proporcionalidade, motivação, segurança jurídica)
  • Atos administrativos. Conceito, elementos, atributos, classificação, extinção, anulação, revogação, convalidação
  • Poderes administrativos. Vinculado, discricionário, hierárquico, disciplinar, regulamentar, de polícia
  • Organização administrativa. Administração direta e indireta, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista
  • Servidores públicos. Regime jurídico, cargo, emprego, função, provimento, vacância, direitos, deveres, responsabilidades, processo administrativo disciplinar
  • Licitações e contratos. Lei 14.133/2021 (nova lei de licitações), modalidades, dispensa, inexigibilidade, contratos administrativos, execução, alterações, sanções
  • Responsabilidade civil do Estado. Teorias, requisitos, ação regressiva, dano material e moral
  • Controle da administração. Controle interno e externo, controle judicial, papel do TCU e dos tribunais de contas
  • Improbidade administrativa. Lei 8.429/92 com alterações da Lei 14.230/21, atos ímprobos, sanções, prescrição
Atenção A Lei 14.133/21 (nova lei de licitações) substituiu a antiga 8.666/93 e está caindo em todos os concursos recentes. Quem ainda estudou pela 8.666 precisa reaprender o tema: mudaram modalidades, prazos, hipóteses de dispensa e o regime sancionatório.

Matérias específicas por área

Além do núcleo duro, cada carreira agrega disciplinas próprias. Aqui está o panorama por área para você decidir onde quer focar suas específicas.

Área fiscal (SEFAZ, ISS, Receita Federal)

  • Direito tributário. CTN, princípios tributários, competência, impostos federais, estaduais e municipais, processo administrativo fiscal
  • Contabilidade geral e pública. Princípios contábeis, demonstrações, lei 4.320/64, MCASP
  • Administração financeira e orçamentária (AFO). Lei 4.320/64, LRF, ciclo orçamentário, PPA, LDO, LOA
  • Auditoria. Normas brasileiras, técnicas, papéis de trabalho, planejamento, achados
  • Legislação tributária específica. ICMS, ISS, IPTU, ITBI conforme o ente fiscalizado

Área judiciária (TJ, TRF, TRT, TSE, STJ, STF)

  • Direito processual civil. CPC/2015, partes, atos processuais, recursos, execução
  • Direito processual penal. CPP, inquérito, ação penal, prisões, recursos
  • Direito civil. Pessoas, bens, fatos jurídicos, obrigações, contratos, responsabilidade civil
  • Direito penal. Teoria do crime, parte especial, crimes contra a administração
  • Regimento interno do tribunal. Sempre cai em concursos de tribunais

Área policial (PC, PF, PRF, PM, PP)

  • Direito penal. Crimes em espécie, com foco em patrimônio, vida, dignidade sexual e administração
  • Direito processual penal. Inquérito policial, prisões, busca e apreensão, cadeia de custódia
  • Legislação especial. Lei de drogas, lei de armas, ECA, lei Maria da Penha, crimes hediondos
  • Criminologia. Escolas, controle social, vitimologia, prevenção
  • Medicina legal. Tanatologia, traumatologia forense, sexologia
  • Atualidades, geopolítica e direitos humanos. Específico de cada concurso

Área de controle (TCU, TCEs, CGU)

  • AFO e contabilidade pública. Mesmo conteúdo da área fiscal, com peso maior
  • Auditoria governamental. Normas internacionais (ISSAI), governança pública
  • Direito financeiro. LRF aprofundada, dívida pública, transferências voluntárias
  • Lei orgânica do tribunal de contas. Sempre cai
  • Administração pública. Governança, gestão estratégica, indicadores

Área legislativa (Câmara, Senado, ALEs)

  • Regimento interno da casa. Processo legislativo, sessões, comissões
  • Direito constitucional aprofundado. Especialmente processo legislativo
  • Específicas do cargo. Variam de analista legislativo, técnico, consultor

Como cada banca cobra: o estilo importa

Saber a matéria não basta. Saber como a banca cobra a matéria é o que separa o aprovado do reprovado. Cada examinadora tem uma "personalidade" própria, e estudar provas anteriores da banca-alvo é tão importante quanto estudar o conteúdo.

Banca Estilo Dica de ouro
Cebraspe Questões certo/errado, enunciados longos, profundidade conceitual e jurisprudencial Cuide do controle de pontos negativos. Errar uma questão pode anular outra que você acertou.
FGV Múltipla escolha com cinco alternativas, textos densos, pegadinhas finas, peso forte em raciocínio lógico e leitura Treine leitura ativa. Marque palavras-chave do enunciado antes de ler as alternativas.
FCC Múltipla escolha tradicional, prova "limpa", forte em literalidade da lei e doutrina clássica Decore a lei seca. A FCC não disfarça: se está no CTN, está na prova.
Vunesp Enunciado moderado, equilíbrio entre teoria e aplicação prática, questões objetivas e diretas Foca em raciocínio. A Vunesp adora situações práticas e exemplos.
IBFC Enunciados curtos, foco em literalidade, provas mais acessíveis É a banca onde mais vale a pena resolver muitas questões para criar bagagem.
Quadrix Cobra com profundidade conselhos profissionais e órgãos de classe, questões certo/errado Quem mira conselhos (CRC, CRO, CRM) tem na Quadrix sua banca-alvo principal.
Instituto AOCP Enunciados objetivos, banca de prefeituras e órgãos municipais, prova de média dificuldade Boa banca para "primeiro concurso" de quem vem de carreira privada.
Dica do Wilsinho Antes de bater o martelo no seu concurso-alvo, resolva 30 questões de cada banca que costuma cobrar aquele cargo. Você vai sentir na pele qual estilo combina mais com o seu jeito de pensar. E vai descobrir, na prática, que estudar para banca certa rende muito mais que estudar para banca errada.

Distribuição típica de questões em editais 2025-2026

Para visualizar como o núcleo duro se distribui na prova de cada carreira, montei abaixo uma tabela com a distribuição média observada em editais recentes. Use como bússola, não como mapa exato — cada edital tem o próprio peso.

Carreira Português Mat. / RL Informática Const. + Adm. Específicas
Auditor fiscal estadual 15% 15% 5% 15% 50%
Analista de tribunal 20% 15% 10% 20% 35%
Técnico de tribunal 25% 15% 15% 20% 25%
Auditor de TCE/TCU 10% 15% 5% 20% 50%
Polícia civil (escrivão) 15% 10% 10% 15% 50%
PMs e PPs 15% 10% 5% 20% 50%
Cargo administrativo (autarquia) 25% 20% 15% 20% 20%

Note como os tribunais e cargos administrativos são os que mais dependem do núcleo duro (entre 70% e 80% da prova). Já fiscal, controle, polícia civil e polícia militar têm o peso das específicas muito alto. Isso significa que o candidato que ainda não escolheu o concurso deve começar pelo núcleo duro, porque ele serve para todos.

Tendências para 2026

Alguns movimentos vêm se consolidando nos editais recentes e devem dominar 2026. Quem se prepara olhando o retrovisor de 2018 corre o risco de chegar à prova com defasagem real.

  1. Inteligência artificial na informática. A partir de 2024, ChatGPT, IA generativa, deepfakes e implicações para a LGPD entraram nas provas. Tendência irreversível.
  2. Lei 14.133/21 nas licitações. Já está substituindo de vez a 8.666/93 nas provas. Decore o novo regime sancionatório, modalidades e governança.
  3. LGPD aplicada. Já não cai só "conceito de dado pessoal". Cai cenário: o servidor X vazou dado Y, qual a sanção? Esse é o nível atual.
  4. Lei 14.230/21 (improbidade). A nova lei mudou prescrição, dolo específico e sanções. Cai todo edital pós-2022.
  5. Crimes cibernéticos. Lei 14.155/21 alterou o código penal para criar invasão de dispositivo informático qualificada. Provas policiais e de TJ adoram.
  6. Reforma tributária. A EC 132/2023 criou o IBS e a CBS. Já caiu em concursos da SEFAZ a partir de 2024. Estude antes do edital sair.
  7. ESG no setor público. Governança ambiental, social e de governança começou a aparecer em concursos de controle e auditoria.
  8. Atualidades com viés geopolítico. Guerra na Ucrânia, conflito Israel-Hamas, BRICS, eleições brasileiras de 2024, COP30 em Belém. Polícias e diplomacia adoram.

Dicas de preparação para 2026

Saber o que cai é metade do caminho. A outra metade é estudar com método. Aqui vai o conjunto de práticas que mais aprovou no escritório do Prof. Wilsinho nos últimos cinco anos.

1. Comece pelo núcleo duro. Português, RL, informática, constitucional e administrativo. Esse tronco serve para qualquer concurso e te dá vantagem antes mesmo de o edital sair. Reserve seis meses inicial só para essas cinco matérias.

2. Estude com questões desde o dia um. Não passe três semanas só lendo PDF. Em até dois dias após estudar um tópico novo, resolva 20 questões dele. Quem só lê esquece. Quem resolve, fixa.

3. Use a regra do 50/30/20. Para cada hora de estudo: 50% questões, 30% teoria e leitura ativa, 20% revisão. Inverta isso e a aprovação demora o triplo.

4. Revisão espaçada é sagrada. Revise 1 dia, 7 dias, 30 dias e 90 dias depois. O Anki ou planilha Excel resolvem isso. Sem revisão, você esquece 80% do que estudou em três meses.

5. Faça simulados semanais. A partir do terceiro mês de estudo, um simulado por semana, com cronômetro, igual à prova. Treinar gestão de tempo é tão importante quanto saber o conteúdo.

6. Estude pela banca-alvo desde o início. Resolva preferencialmente questões da banca que vai cobrar seu concurso. Cebraspe, FGV e FCC têm estilos muito diferentes. Mistura tudo só no final.

7. Decore a lei seca quando ela for cobrada. Não tem milagre: artigo 5º da CF, CTN, CPP, lei 14.133/21, lei 8.112/90, lei 8.666/93 (ainda cai como subsidiária). Quem foge da lei seca paga caro.

8. Cuide do corpo. Dorme bem, treina pelo menos três vezes por semana e come direito. Sua cabeça é uma máquina biológica, e máquina sem manutenção quebra na hora do simulado.

Dica do Wilsinho O melhor concurso é aquele em que você consegue estudar antes do edital sair. Sabe por quê? Porque a sua concorrência só começa depois da publicação. Quem estudou seis meses antes, sai com seis meses de vantagem. Antecipação é o ativo mais subestimado da preparação.

Perguntas frequentes

Qual a matéria mais cobrada em concursos públicos?

Português. Aparece em praticamente 98% dos editais brasileiros, em todos os níveis (médio, superior e técnico-científico) e em todas as áreas. Não há concurso público generalista sem português.

Preciso estudar matemática mesmo para concurso jurídico?

Em muitos casos, sim, mas o foco é diferente. Concursos jurídicos costumam cobrar raciocínio lógico (lógica proposicional e argumentação), não matemática pura. Já concursos fiscais e bancários exigem matemática financeira e estatística pesadas.

Qual é o "núcleo duro" dos concursos?

São as cinco disciplinas que aparecem em mais de 70% dos editais: português, matemática e raciocínio lógico, informática, direito constitucional e direito administrativo. Quem domina o núcleo duro pode prestar concurso para diversas carreiras sem reaprender as bases.

É possível passar sem estudar específicas?

Apenas em cargos administrativos de autarquia onde o núcleo duro chega a 90% da prova. Em fiscal, controle, polícia e judicial, as específicas valem 40% a 60%. Sem dominá-las, não há aprovação.

Quanto tempo levo para dominar o núcleo duro?

Para um candidato dedicado (3 a 5 horas por dia), o núcleo duro completo leva entre 6 e 9 meses para ser dominado em nível de prova. Quem estuda 8 horas por dia consegue em 4 a 6 meses. Quem estuda 1 a 2 horas, leva 18 meses ou mais.

Vale a pena estudar pela banca antes do edital sair?

Sim, sempre. Cada banca tem estilo próprio de cobrança, e a familiaridade com o estilo vale pontos preciosos. Se você sabe que seu órgão-alvo costuma usar Cebraspe ou FGV, estude desde o início com questões dessas bancas.

Devo estudar mais teoria ou mais questões?

Mais questões. A regra do 50/30/20 funciona: 50% do tempo em questões, 30% em teoria ativa (leitura analítica e esquemas) e 20% em revisão. Quem inverte essa proporção demora muito mais para aprovar.

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